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Planta brasileira é redescoberta após 'desaparecer' por mais de 100 anos

Planta brasileira é redescoberta após 100 anos de seu desaparecimento Um levantamento de espécies no Arquipélago de Alcatrazes, no litoral norte de São Pau...

Planta brasileira é redescoberta após 'desaparecer' por mais de 100 anos
Planta brasileira é redescoberta após 'desaparecer' por mais de 100 anos (Foto: Reprodução)

Planta brasileira é redescoberta após 100 anos de seu desaparecimento Um levantamento de espécies no Arquipélago de Alcatrazes, no litoral norte de São Paulo, revelou uma surpresa para a ciência. O biólogo Gabriel Pavan Sabino, doutorando em Biologia Vegetal pela Unicamp, caminhava por uma área de difícil acesso na ilha quando se deparou com flores de pétalas brancas que chamaram sua atenção. Para a surpresa do pesquisador, as flores pertenciam à Begonia larorum, uma planta que não era documentada desde 1920. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp A última aparição da espécie havia ocorrido durante uma expedição científica no mesmo local: o Arquipélago de Alcatrazes, situado a cerca de 35 quilômetros de São Sebastião (SP). A região é uma unidade de conservação federal e um dos pontos mais ricos em biodiversidade do Atlântico Sul. A pesquisa está sendo realizada pelo Laboratório de Ecologia Evolutiva e Genômica de Plantas (LEEG), do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp. O objetivo é investigar as espécies locais, a origem da vegetação e sua relação com a flora do continente. O estudo também analisa como o isolamento e o clima influenciam essas plantas, além de examinar as interações ecológicas e formas de reprodução que mantêm a biodiversidade da ilha. “Acreditamos que a espécie tenha permanecido sem registros por tanto tempo porque ocorre em áreas de difícil acesso na ilha. Além disso, houve poucos esforços para busca no local desde então, especialmente em regiões mais isoladas e íngremes”, completa Gabriel. Planta reencontrada após 100 anos Gabriel Pavan Sabino VIU ISSO? Anta que sobreviveu a golpe de facão dá à luz filhote em reserva de MT; VÍDEO Gavião ameaçado de extinção é filmado em cena rara no chão da Mata Atlântica Parece ouro, mas não é: o mineral que enganou garimpeiros por séculos Resistência e vulnerabilidade Segundo os pesquisadores envolvidos na catalogação, a planta é endêmica do arquiélago — ou seja, ocorre exclusivamente no local. A espécie se caracteriza por sua alta capacidade de adaptação e resistência a condições climáticas adversas, já que a ilha apresenta alto índice de insolação, ventos fortes e bastante maresia, cenários típicos de regiões costeiras. Apesar dessa robustez, o coordenador do estudo, Fábio Pinheiro, alerta que a planta pode estar vulnerável. Como a Begonia larorum ocupa uma área de ocorrência muito pequena, qualquer oscilação no ambiente poderá afetar a população inteira. Planta foi achada na mesma região Gabriel Pavan Sabino Fábio também destaca a importância da região para a ciência: “A Ilha de Alcatrazes concentra diferentes tipos de vegetação praticamente intactos, isolados e em um clima diferente do continente. Esta combinação acelera a diferenciação dos organismos das ilhas e, por isso, este local é considerado um laboratório ideal para o estudo da evolução”. Como o local sofre pouca ou nenhuma interferência humana (como o desmatamento), os cientistas conseguem entender como o ambiente age naturalmente na dinâmica das espécies e de que maneira o isolamento contribui para a evolução. Detalhes de planta Gabriel Pavan Sabino Pensando na conservação da Begonia larorum, os próximos passos da pesquisa já estão definidos. “Neste momento estamos planejando estudos que vão procurar entender como esta espécie se reproduz, e se a população exibe sinais de expansão ou declínio. Isso será fundamental para fundamentar as medidas de preservação da espécie”, finaliza Fábio. Sobre a Begonia larorum Saiba mais sobre a Begonia larorum Gabriel Pavan Sabino Estrutura robusta: é uma planta herbácea arbustiva, bem ramificada desde a base. Apresenta caules e folhas espessos. Adaptação: ocorre tanto no interior da floresta quanto em áreas abertas próximas ao mar, o que evidencia sua tolerância ao estresse ambiental. Em comparação com espécies continentais semelhantes, é considerada mais robusta e possui folhas mais desenvolvidas. Folhas e flores: tem folhas largas e quase totalmente glabras (sem pelos). Suas flores são brancas e numerosas. Polinização: os pesquisadores apontam que, provavelmente, a planta seja polinizada por abelhas. *Sob supervisão de Rodrigo Peronti. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente